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Palestra e oficina criativa com Maria Cininha

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Maria Cininha

Amigos, esta semana aconteceu a palestra e oficina criativa com a artista plástica Maria Cininha.
Ano passado fiz uma entrevista com ela para o blog da Consuelo Blocker.
Para ler o post no Consueloblog clique aqui.

O assunto abordado também foi sobre criatividade e envelhecimento e ainda com oficina criativa.
Foi super interessante!!!

Cininha falou da sua trajetória, de sua tese que aborda o assunto criatividade e envelhecimento, sobre os caminhos que podem nos ajudar a explorar nosso potencial criativo, sobre os seus projetos, sobre as Marias, sobre o projeto Maria vai à Praça.
Para saber mais do projeto Maria vai à Praça clique aqui

Depois todos nós recebemos uma folha impresa com a mesma imagem, que era uma mesa posta com quatro pratos com tonalidades azuis, garfos e facas e alguns detalhes de flor. Recebemos também duas folhas coloridas, onde deveríamos fazer a colagem e mais algumas folhas com flores, listras, bolinhas, folhas prateadas, douradas, canetas, lápis, furador, tesoura e cola.

A proposta era a seguinte: tinhamos que criar algo com aqueles pratos. Eles teriam que aparecer inteiros no que criassemos, fora esta regra, liberdade total.

“Das coisas nascem coisas” este era o título de nossa oficina.
Incrível como cada pessoa tem um olhar para cada coisa e onde a imaginação pode nos levar.
E mais incrível como pensamos uma coisa ao criar e o outro quando olha para o que criamos pensa em outra totalmente diferente.
Simplifiquei bem, mas é mais ou menos o que acontece quando olhamos para uma obra de arte, cada qual com seu pensamento, sentimento e impressão única do que está vendo de acordo com sua própria vivência.

Esta foi imagem que recebemos:

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Algumas criações:

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Estas foram as minhas: :)

Nesta primeira pensei em um vaso com flor, uma amiga que viu pensou em um carroussel e outra em uma roda gigante! :)

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Mais criaçōes:

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Cininha tem muito repertório, ideias, criatividade e uma história de vida inspiradora, sempre quis trabalhar com arte, mas só começou a faculdade perto dos 40 anos, mostrando que é possível, em qualquer tempo da vida, concretizar nossos sonhos e planos.

Obrigada Cininha!

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Toy art brasileiro – os Rolhecos!!

Pesquisando sobre toy art no Brasil encontrei o trabalho do designer Paulo Grohmann, achei incrível e criativo.

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Paulo teve esta ideia quando estava brincando com seus filhos, a ideia deu tão certo que a brincadeira virou coisa seria.
São feitos com rolhas, cotonetes e fios. Ele não compra as rolhas novas, compra as usadas, o que também torna o projeto sustentável. Os cotonetes, ele jura, só utiliza os novos!! São pintados um a um e eles tem uma marca: o sorriso aberto!

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Fiz agumas perguntas para o Paulo:

Além dos rolhecos, sua empresa comercializa outros produtos?
Sou designer gráfico por profissão, e a Brinte nasceu com o propósito de oferecer serviços gráficos, criação de marcas principalmente. A marca Rolhecos teve início há pouco tempo, em setembro/2013. A loja online acabou de ficar pronta, e nela ofereço criações próprias, como os Champs e os Bounes. Personagens da cultura pop, como os Minions, Harry Potter e Super heróis são feitos sob encomenda.

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Onde podemos comprar os rolhecos?

Podem comprar pelo site www.rolhecos.com.br e também na Coisas da Dóris – nos Jardins e online: www.coisasdadoris.com.br (kit de pintura e anjinhos)

Você trabalha com oficinas ensinando a fazer os rolhecos?
Está nos planos realizar oficinas com as crianças, provavelmente faremos a primeira já em fevereiro.

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A campanha para incentivar as pessoas a levarem as rolhas foi bem sucedida?
A campanha está sendo um sucesso, já foram arrecadadas mais de 3.000 rolhas em apenas um mês. A campanha termina dentro de alguns dias, logo terei os números para divulgação.

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O branquinho para ser customizado faz sucesso? Adultos e crianças?
O kit de pintura é um hit entre as crianças. Ensinar os pequenos a customizar os Rolhecos é uma ótima diversão.

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Quem compra mais, homens ou mulheres?
O público principal é feminino, sem dúvida.

As pessoas colecionam? Ficam a espera de novos modelos?
Já temos algumas colecionadoras sim!
Estou sempre criando novos personagens, quem acompanha pelo Face, Twitter ou Instagram fica sabendo de antemão.

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Que interessante, sempre achei que o público de toy art fosse masculino na maioria, talvez no Japão e Estafos Unidos. No caso dos rolhecos, as mulheres estão imperando!
Eu gostei muito! Quero mais do que um pra mim!

Mais informacōes:
Recentemente o blog do vinho tinto fez duas matérias ótimas com muita informação sobre os Rolhecos.A entrevista com Paulo está excelente.
www.blogvinhotinto.com.br

Entrevista:
www.blogvinhotinto.com.br

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Análise da Obra: “O Remorso de Orestes” de Willian Adolphe Bouguereau por Luciene Felix Lamy

Começando o ano com mais uma incrível análise completa de Luciene Felix Lamy.
Vale a pena ler com calma e olhando cada parte da obra para entender bem todos os detalhes e o contexto da história.
Boa leitura! Aguardo os comentários!!

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“O Remorso de Orestes” de Willian Adolphe Bouguereau

Análise da Obra: “O remorso de Orestes” de William­ Adolphe Bouguereau

IMAGEM: Bouguereau.Orestes

LEGENDA DA IMAGEM: O remorso de Orestes (1862), de William­Adolphe Bouguereau (1825­

1905). The Chrysler Museum of Art, Nortfolk, Virgínia.

Bouguereau foi um talentosíssimo pintor do belo, do sublime, da meiguice e da docilidade (basta dar um “Google Imagens” para constatar que você sempre adorou sua arte). Mas nas poucas obras em que ousou retratar a violência, também o fez com maestria.

Na cena acima, observamos um rapaz desesperado, tapando os ouvidos enquanto é perseguido por três mulheres furiosas. Todas elas fixam o olhar sobre ele e apontam­-lhe o dedo indicador chamando a atenção do jovem para outra figura feminina desfalecida, apunhalada no coração.

Vestindo um dramático manto vermelho sobre um vestido branco, é a rainha Clitemnestra que acaba de ser assassinada pelo próprio filho, Orestes. A consciência não o deixa em paz!

Ainda no retrato desse drama, constatamos o vigor de quatro corpos em movimento, em contraste com um outro corpo paralisado. Observem que as Erínias (também conhecidas como as três parcas, as moiras, as tecelãs, as Fúrias) possuem cabelos de serpentes. Desfiguradas, suas faces exprimem ódio, indignação e ameaça. Uma delas ostenta uma serpente bem grande como se fosse um chicote, enquanto a outra porta um archote.

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Eruditos, os artistas doutrora prezavam muito a cultura clássica e, como não podia deixar de ser, para compreender os meandros da psique humana, debruçavam­- se sobre os tragediógrafos gregos.

Bouguereau demonstra profunda familiaridade com a tragédia de Ésquilo, intitulada “Eumênides” (548 a.C.), pois o tema retratado nesse quadro é o ato mais aviltante que se pode cometer: o assassínio da própria mãe, o nefasto crime de matricídio.

Para que a fruição, a contemplação dessa obra magistral seja ainda mais completa, perscrutemos por que esse rapaz ousou matar a própria mãe e como a cena retrata a transição do matriarcado para o patriarcado.

A mando do deus Apolo (Sol), o rapaz foi “autorizado” a matar a mãe para vingar a morte do pai.Sim, a mãe de Orestes, Clitemnestra assassinou o marido, o lendário rei de Esparta, Agamêmnon, por ter sacrificado sua primogênita, Ifigênia para conseguir bons ventos e partir para a conquista de Troia.

Historicamente falando, tanto a arte literária quanto a pictórica revela a superação das leis mais antigas (matriarcado) pela nova lei (o patriarcado).

O crime será presidido por Athena que, durante o julgamento de Orestes, no Areópago de Ares(onde eram julgados os crimes de sangue), proferirá seu famoso “voto de Minerva” (nome romano de Athena), desempatando o veredicto do juri.

Para a religião arcaica (cerca de 1.200 a.C.), quem derrama sangue materno ofende e viola o direito inexorável da terra­mãe.

As Erínias, também conhecidas como “As Fúrias”, a vingança, nascidas do sangue que jorrou dos órgãos genitais de Urano (Ouranós, os Céus), ceifado por seu filho Chronos (o tempo, Saturno para os romanos), perseguiriam e não deixariam impune o mais aviltante crime contra a própria natureza. Para esta cultura só existe um laço sagrado: o de mãe e filho.

Retomando o desenrolar da machina fatalis: Agamêmnon sacrifica a filha Ifigênia, é assassinado pela mulher Clitemnestra e vingado pelo filho Orestes, por ordem expressa do deus Apolo.

Apavorado com as Erínias sob seu encalço, Orestes procura abrigo no templo da deusa da Justiça.
Abraçado aos pés da estátua de Palas Athena, suplica por um julgamento e, contando com a pronta defesa do deus da harmonia Apolo, anseia por acolher o veredicto que vier.

Uma mudança não se dá sem luta. Chega o inadiável momento em que se travará o definitivo embate entre: a) de um lado, as catatônicas forças das profundezas da terra, a natureza germinadora, das trevas subterrâneas do Hades, personificações antropomórficas (que o homem constrói imageticamente à sua semelhança) dessas potências (as Erínias representam o matriarcado) e; b) do outro, o dia claro da razão, a nova luz do Olimpo presidido agora por Zeus, o lógos que se impõe à instauração da política humana que se assenta em Diké, a lei da pólis (Apolo e Palas Athena, arautos da nova ordem que representam o patriarcado).

Todo processo de julgamento de Orestes procedem cerimoniosamente como o instituímos até hoje, mais de vinte e cinco séculos depois: apresenta­-se o réu e a denúncia, o advogado de defesa (Apolo) e as acusadoras (as Eríneas), o júri (doze atenienses) e a juíza (Palas Athena).

Quando Orestes indaga ao coro porque as Erínias não perseguiram sua mãe Clitemnestra ao matar seu pai, este afirma não ter sido cometido crime contra o sangue, ao que ele prontamente indaga: “e eu seria, por acaso, do sangue de minha mãe?” Indignadas, as Erínias perguntam: “Não foi ela, assassino, quem te alimentou em seu seio? Renegas o dulcíssimo sangue materno?”.

Para o matriarcado, o pai, seja ele quem for, apenas deposita a semente na mulher, como um lavrador anônimo que semeia a terra, verdadeira fonte de tudo o que brota
.

Já para o patriarcado, a mulher é, assim como a terra, apenas depositária da semente, sendo, portanto, o pai o grande responsável pelo que brota, enquanto a mãe, matriz fria e passiva, não
gera, apenas alimenta o germe nela semeado.

O argumento apresentado na defesa de Orestes por Apolo alude ao nascimento da juíza Palas Athena, ela mesma gestada nas meninges de Zeus e parida pela machadada certeira do ferreiro divino Hefestos(Vulcano para os romanos).

Iradas com Apolo, as Erínias vociferam e ameaçam: “Tu jovem deus, esmagas nossa velhice, mas aguardo a sentença e contenho até lá minha cólera contra a cidade”.

Enquanto os doze cidadãos atenienses depositam seus votos na urna, a deusa da Justiça esclarece: “Serei a última a pronunciar o voto. E os somarei aos favoráveis a Orestes. Nasci sem ter passado por ventre materno; meu ânimo sempre foi a favor dos homens, à exceção do casamento; apoio o pai. Logo, não tenho preocupação maior com uma esposa que matou o seu marido, o guardião do lar; para que Orestes vença, basta que os votos se dividam igualmente”.

Faz­-se silêncio. Diante da ansiedade de todos os presentes, uma pausa. A deusa dá seu veredicto “Este homem está absolvido do crime de matricídio porque o número de votos é igual dos dois
lados”. Há em jogo algo mais relevante neste tribunal in dubio pro reo, neste tribunal da justiça e não da vingança.

Com o “voto de Minerva” dá­-se o estabelecimento da supremacia da luz do lógos sobre as “Fúrias”, forças ctônicas da natureza. O pai, guardião do lar e não a mãe, tem a prioridade do direito que procede de Zeus, pai de ambos, Apolo e Palas Athena. Estes são os novos deuses, os do Olimpo, com suas novas leis.

Sobre o inconformismo das imortais Erínias, habitantes das entranhas da matéria, elas, filhas da noite, que originam toda espécie de vida “detentoras do nascer e do morrer, os dois pontos finais entre os quais, segundo Platão, move­sse a trajetória de todas as coisas”, vaticinam sérias ameaças à cidade de Atenas.

A sapientíssima juíza, gestada na cabeça (razão) de Zeus, graças à arte da retórica, conteve as “Fúrias”com incomensurável empenho.
Reconhecendo seus poderes, prometendo- ­lhes mansões e templos dignos, tem seu voto de desempate acolhido pelas Eríneas que passam a ser reverenciadas em Atenas e a ser chamadas “Eumênides”: as benevolentes (daí o título da obra). Quem mais senão a diplomática Palas Athena, com seus lúcidos e irrefutáveis argumentos para aplacá­las?

Por não vivermos mais numa sociedade exclusivamente agrária, governada e endeusadora da terra e da fertilidade, por termos agora que estabelecer novas leis conciliatórias sobre a violência que nasce da vingança dos crimes de sangue, do “sanguine coniunctae” que dizimava famílias inteiras na Hélade, o direito ao julgamento, a política da pólis se impõe: Vitória do Lógos!

Elementar que a contagem de votos tenha empatado: o filho é do pai tanto quanto também é da mãe. Superada a fúria cega das forças brutas, indiscriminadamente germinadoras, caberá à pólis, pela primazia da ratio, deter o caos e instaurar uma nova ordem. Poder germinador da terra, dom e graça das Mães. Mas, para que não haja desequilíbrio, constatamos que não é mais sábio (Palas Athena)nem harmonioso (Apolo) que o exerçam sozinhas, quando antes da pólis.

Do ventre das férteis Erínias de nosso solo ainda proliferam frágeis e desamparadas sementes de irresponsáveis(posto que ausentes)lavradores anônimos. São as crias da escuridão e da injustiça, distantes da justiça de Athena, da luz de Apolo.

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“Vanitas vanitatum et omnia Vanitas” (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade) Eclesiastes por Luciene Felix Lamy

Queridos, este post era para ser publicado ontem no dia do professor para homenagear uma professora, educadora e filosófa incrível, a Luciene Felix Lamy, que por sorte é nossa colaboradora. Mas, como todo dia é dia de homenagear quem tem o dom de transmitir conhecimento aqui vai:
Parabéns querida Luciene!! É o maior orgulho pra mim ter seus textos e análises publicados no blog.

Para quem ainda não teve oportunidade, clique aqui pra ler o primeiro post que publicamos, o segundo clique aqui e para conhecer mais sobre a Lu e sobre o que ela escreve clique aqui.

Leiam vocês mesmos com seus próprios olhos e vejam porque vale a pena acompanhar cada texto dela.
Boa leitura e reflexão!
Aguardamos os comentários!

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São Jerônimo (que traduziu a bíblia do hebraico e aramaico para o grego e o latim) por Caravaggio (1605-6), Galleria Borghese, Roma.

O tempo muda, e com ele, emerge novos conceitos, que respaldados pelo “zeitgeist” vigente impõe-se como modismo. Alguns modismos, como os “Vanitas”, se tornam “clássicos”.

Em tempos d’outrora, distintivo (“chique”) mesmo era pendurar um enigmático “Vanitas” na parede da biblioteca (ocupada hoje pelo home-teather) e ter assim, assunto para se encetar uma boa prosa filosófica (vida, morte e tempo), enquanto se finalizava o agradável jantar saboreando um licor.

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Harmen Steenwijk – 1640

Mas, o que é um “Vanitas”? Um “Vanitas” (do latim, vacuidade, futilidade, algo vão, sem valor) é a representação dramática de um gênero singular de natureza morta surgida no norte da Europa e países baixos nos séculos XVI e XVII com forte conteúdo simbólico de cunho moralizante que busca chamar a atenção para o quão efêmera é a vida, fugidios seus prazeres, vãs suas glórias e para a irreversibilidade da condição que nos distingue do Criador: mortais.

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Pieter Gerritsz – 1630

Com o enaltecimento dos “Vanitas”, o gênero “natureza-morta” – o patinho feio da pintura –, tão apreciado pelos holandeses, foi alçado a patamar de honra. A morte era uma realidade muito próxima e os pregadores calvinistas eram fascinados pelos interditos do Livro de Eclesiastes, no Velho Testamento. Do ponto de vista filosófico, arrisco dizer que o gênero é “Existencialista”.

Uma obra dessa natureza, que é um imperativo chamado para reflexão sobre valores, expressava que a alma do detentor estava consciente da insignificância da vaidade humana. O paradoxo é que se pagava muito caro por tamanha insígnia de sapiência: ostentar um “Vanitas” era caríssimo, acessível somente às pessoas de posses.

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Hendrik Andriessen – 1650

Nesse tipo de obra, explicitando perecividade e finitude, observamos a presença de figuras que aludem e contrapõe: 1) vida terrestre espiritual e contemplativa e, 2) vida terrestre hedonista, luxuriosa e sensual.

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Pieter Claesz – 1625

São recorrentes, então, insígnias de poder (colunas clássicas, coroas, tiaras, mitras, medalhas, elmos, escudos, emblemas heráldicos, espadas e outros adereços que remetam à honra), símbolos de fortuna e riqueza (moedas de ouro ou prata, tecidos requintados, sedas, veludos, bordados e brocados, pedras preciosas, pérolas, conchas e outros objetos preciosos), referências aos prazeres libidinais e luxuriosos (espelhos, cartas de baralho, vinhos, instrumentos musicais tais como flautas e charamelas), alusões à perecividade (flores frescas ou já murchando, frutas suculentas ou apodrecidas, relógios, ampulhetas, bolhas de sabão, borboletas, fio de vela já se apagando), além dos emblemas de imortalidade (livro) e de finitude (o crânio humano), impondo o inexorável destino comum a todos nós, que é morrer.

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Adriaen van Utrecht – 1642

Condenador dos prazeres mundanos, pois erigido sob o solo do discurso de cunho religioso moralizante de apelativo fervor puritano, o melancólico “Vanitas” encontra respaldo na Bíblia judaico-cristã.

De lá para cá, muitas caveiras se passaram e o uso alegórico do crânio ganhou outros significados (que o diga o renomado estilista brasileiro, Alexandre Herchcovitch). E isso porque, a visão que temos da morte passa por “n” perspectivas: temor, respeito, angústia, perturbação, sarcasmo, cinismo, deboche e até provocação. Diante dela, difícil é ser indiferente. Independente disso, intensamente expressiva em suas representações, a morte paira a espreita, triunfa sobre as frivolidades mundanas, sejam quais forem e, alheia ao que pensemos que seja, é o que é.

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Edwaert Collier – 1693

Ao passar todo esse sermão através das pinceladas, um “Vanitas” pretende repreender a ignorância sobre os falsos valores, advertindo que: “(…) os seus vícios e horrores, as suas paixões desonestas, desvairadas de cegas, funestas, os seus apetites venais insaciáveis, as suas perigosas irracionalidades, as suas pulsões inconfessáveis (…)”, tem um fim. Esse é o drama.

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Philippe de Champaigne – 1671

Tela e pincéis em mãos, escolha os elementos, desenhe e pinte o SEU “Vanitas”, afinal, a obra é o que permanece.

Blog da Luciene:
http://lucienefelix.blogspot.com/

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Chovendo Arte

Estou muito encantada com o resultado do projeto Chovendo Arte.
A exposição aconteceu dentro do Salão de Arte na Hebraica e ficou linda demais!
Participam 40 artistas – fotógrafos, artistas plásticos, estilistas, blogueiras, escritores, produtores, com imagens de suas obras, fotos autorais, ilustrações.
E ainda contamos com o artista e calígrafo Fabio Maca para a chuva de palavras, que ficou incrível!

Agora, os guarda-chuvas estão no site à espera de seus donos!!
Parte da renda destinada ao Projeto Velho Amigo
Um mais lindo que o outro! Vale a pena adquirir!
Entre no site e escolha o seu!!
www.chovendoarte.com.br

Sobre o projeto:
No projeto Chovendo Arte buscamos a conexão entre a imagem e a palavra.
Para brincar com esta ideia, escolhemos o guarda-chuva para representar a imagem e as palavras para representar a chuva.

Em um mundo onde parecia que só a imagem tinha força a palavra ressurge, de forma diferente, quebrando distâncias através da internet, e-mails, blogs, twitter…
Tudo dito em 140 caracteres ou com menos ainda, com as hashtags que unem, seduzem, ganham campanhas. #quemnunca escolheu uma pra compartilhar? #yeswecan #maisamorporfavor #assineapetição #chovendoarte

Imagens autorais escolhidas em parceria com artistas plásticos, estilistas, fotógrafos e outras personalidades, foram estampadas em cada um dos guarda-chuvas.
Palavras que gostaríamos que “chovessem” intensamente nas nossas vidas escritas entre as imagens.

A força da imagem e da arte circulando em guarda-chuvas. Muita chuva de amor, bondade e solidariedade.
Que chova tudo que é bom.
Que seja uma chuva do bem
!

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Cintia Covre e Tânia Sciacco

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Regina Helou, eu e Regininha Moraes do Projeto Velho Amigo

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Joel Reis, produtor de eventos e escritor

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Lilian Pacce e seu guarda-chuva: ” Olha a Chuva”

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O guarda-chuva de Consuelo Blocker reserva uma surpresa “Sob o céu da Toscana”

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Thamar Toffolo e seu guarda-chuva

 

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Jane Wickbold artista plástica que participa do projeto, o guarda-chuva em vermelho é um de seus lindos trabalhos!

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Criação de Ronaldo Fraga. Lindo!!

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Criação de Consuelo Blocker

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Querida e talentosa artista Eliara Bevilacqua

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Celia Nahas Garcia e uma de suas criações.

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Gustavo Rosa ( 1946 – 2013)

Estive com Gustavo Rosa algumas vezes.
Quando levei a querida Rita Biagi para encomendar um quadro dele, quando o encontrei no Salão Chapel Art Show com Livia Doblas, sua namorada na época e em algumas exposições onde apenas nos cumprimentávamos.

Este ano de 2013 estive com Gustavo Rosa em meados de março quando fui convidá-lo para participar do projeto dog.art. Foi a primeira vez, e infelizmente a última, que conversamos sozinhos por um bom tempo, ele falou sobre a luta contra a doença, da operação, de como andava cansado, que foi um sacrificio permanecer por horas na sua última exposição, que tinha planos, projetos futuros em andamento…

Ele aceitou participar do dog.art, disse o que planejava fazer. Sai do atelier feliz com a participação de um artista tão conhecido e com vontade de conhecer mais a pessoa com tanta personalidade e opinião que ele parecia ser.
Ele escolheu o cachorro vira-lata. Uma cachorrinha vira-lata vivia ali no atelier dando o ar de sua graça.

Alguns dias se passaram, vinte talvez e a secretária dele me ligou dizendo que ele não poderia mais fazer, fora internado e não tinha condiçōes.

E hoje, oito meses depois, final do dia, li a notícia de sua morte.
Fiquei triste. Muito triste. Sempre pensamos que poderia ter ficado um pouco mais…

Fiquei aqui pensando no fim.
Somos finitos. Os artistas não.
Eles deixam algo que supera a morte.
Gustavo Rosa deixou: sua arte, suas telas, seus livros, objetos.
Ele permanece.

Que descanse em paz e que Deus conforte os que ficaram.

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Quando Beatriz Milhazes ainda não era a artista de milhōes de dólares…

…e quando Marcantonio Villaca ainda abordava galeristas para apresentar o trabalho dela.

Recebi por email um texto da Revista Piauí que conta sobre a primeira vez(segundo o texto) que o galerista Marcantonio Villaça da antiga galeria Camargo Villaça, apresenta a obra da artista visual Beatriz Milhazes para uma conceituada galerista de Nova York, uma das melhores do mundo, Barbara Gladstone. De uma maneira inusitada, original e bem atrevida dentro de um vôo. Achei interessante compartilhar por dois motivos:

Ler este texto é, de certa forma, um incentivo aos artistas, ninguém sabe aonde vamos chegar, o negócio é trabalhar com afinco, amor, dedicação e marketing!!
Lembrando que a galerista torceu o nariz e disse o seguinte para o desenho apresentado: “bullshit”

Nove anos depois, dia 15 de maio de 2008, a tela de Beatriz Milhazes “O Mágico” foi arrematada no leilão da Sotheby’s por 1,49 milhão de dólares, o maior valor já alcançado por uma obra de artista brasileiro vivo. Beatriz não viu a cor deste dinheiro, a tela não era mais dela, mas obviamente colheu os frutos da valorização.

Quem arrematou a obra foi o colecionador argentino Eduardo Costantini, o mesmo que, em 1995, comprou por 1,5 milhão de dólares Abaporu de Tarsila do Amaral, hoje em exposição permanente no Malba, o Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires.

O outro motivo, o mais importante pra mim, foi ler e imaginar como o marchand amava e acreditava com toda a sua energia no que fazia, como acreditava naqueles que representava. Esqueci neste momento o dinheiro que ele ganhou, não é isto o que me fascinou, embora seja importante também. Imaginei Marcoantonio uma pessoa incrível, deve ter sido um privilégio para as pessoas que conviveram com ele.

Pensei muito nisto, como nós, seres humanos que somos, precisamos de pessoas, de pelo menos uma pessoa que acredite no talento, potencial que temos.

O nascimento é solitário, a morte também, mas a vida não pode e não deveria ser.

Beijos aos meus queridos e boa semana!!

Leia o texto da Revista Piauí por Bruno Moreshi clicando aqui.

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