Monthly Archives: April 2014

Análise da obra “Uma dança para a música do tempo”, de Nicolas Poussin por Luciene Felix Lamy

Queridos amigos, hoje temos mais uma obra com a análise gentilmente feita e cedida para o blog pela Luciene.
Está imperdível.
Aproveitem!!

Análise da obra “Uma dança para a música do tempo”, de Nicolas Poussin por Luciene Felix Lamy.

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Trazemos a delicadíssima tela do francês Nicolas Poussin (1594-1665), que fez carreira (e sucesso!) em Roma. Poussin nasceu no interior da França, era de origem humilde e não dispunha de recursos para pagar por bons mestres. A sorte é que seguiu para Roma e, foi patrocinado pelos Médicis e até por um Papa, alcançou sucesso e fama. Há obra dele até na Basílica de São Pedro.

“Uma dança para a música do tempo” traz as figuras alegóricas da Riqueza, do Prazer, do Trabalho e da Pobreza, além do deus Jano (esculpido numa pedra, sobre um pedestal e envolto numa guirlanda de flores), a carruagem de Apollo e seu cortejo, a criança e o velho, no canto inferior direito e a outra criança fazendo bolhas de sabão, no canto inferior esquerdo.

Bem, vamos a uma das atividades mais prazerosas do mundo: contemplar uma obra de arte e tentar “traduzir” o que o erudito artista está a nos dizer através de suas pinceladas. Olhinhos (e Alma) atentos?

Observem que o deus da saúde e da harmonia, Apollo (Hélios, na mitologia romana) está, lá do alto, dentro de um círculo dourado, o que representa a eternidade que é o nascer do Sol (Apollo). Ele é precedido por uma jovem (seguramente a deusa Aurora) que faz jorrar algo como pó de ouro (ou flores douradas) de suas mãos. E sua carruagem é seguida por algumas donzelas, a bailar, as Horas.

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A representação pictórica dessas quatro divindades alegóricas, diz muito sobre as instâncias que presidem.


O Prazer é a única que nos encara convidativa
e, reparem como seu olhar é alegre, feliz. Assim como a Riqueza, o Prazer está calçado (isso é MUITO importante!). Não há dúvida de que o fato do Prazer ser a alegoria mais distante da Pobreza, também tem algo a nos dizer.

Sobre a cabeça de todas essas alegorias está algo ligado ao que elas representam e, o Prazer traz uma guirlanda de flores. Ora, flores são belas, exalam aromas agradáveis e… Perecíveis, efêmeras. O prazer também abarca a luxúria, o ócio e talvez seja por isso mesmo que dá às mãos à Riqueza. Afinal, sem recursos, como gozar o melhor da vida?

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Atentem que o Trabalho está centralizado, entre o Prazer e a Riqueza. E ostenta a guirlanda de louros em sua cabeça. Realmente, o Trabalho é dignificado, faz jus à coroa de louros, símbolo da vitória. Note-se que o trabalho, assim como a Pobreza, está descalço. Como sempre, nada é em vão, ou seja, em tudo o artista está a nos relatar o que apreende.

O Trabalho dá as mãos à Pobreza e essa tenta dar às mãos à Riqueza, mas observe que elas (mãos da Pobreza e mãos da Riqueza) não chegam a se tocar. A Pobreza traz em sua cabeça um simples pano a prender seus cabelos, está descalça e se veste com modéstia.

Já a Riqueza, calça belíssimas sandálias douradas, está bem vestida e traz uma guirlanda de pérolas na cabeça. É apropriado que a Riqueza ostente alguma joia, não acham?

Também podemos ver que a Pobreza traz uma expressão facial de sofrimento, enquanto a Riqueza apresenta um perfil sereno; já o Trabalho parece focado noutra coisa (na Riqueza?) e, como já dissemos, o Prazer tem uma carinha de indisfarçável satisfação.

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E, como se trata de “Uma dança para a música do tempo”, a figura do velhinho sentado tocando um instrumento musical parece introduzir a velhice (ou a morte) como elemento à espreita. Não importa o que façamos, a velhice e/ou a morte, está lá, presidindo a harmonia (avento-a pela música) que essas quatro alegorias, quando bem orquestradas, presidem. E essas asas? Ah, o tempo voa, não?

Já a criancinha ao lado do velho, segurando uma ampulheta (que ainda tem muita areia para passar), indica que a dança começou há pouco e vai durar algum tempo. Não é curioso que uma inocente criança segure a frágil ampulheta. Ops! Podemos, heraclitianamente, “ler” algo também nisso: “O tempo é criança brincando, de criança o reinado.” (Frag. 52 , do filósofo pré-socrático, Heráclito de Éfesos, inspirador de Sócrates e Platão).


A outra criança, no canto inferior esquerdo,(no quadro original, abaixo ela está àdireita) fazendo bolhas de sabão, parece estar a indicar a efemeridade da vida, que passa tão rápido
. Muitos elementos nessa obra reiteram isso insistentemente. Fato que é que esta criança está a brincar. Talvez a vida seja mesmo uma brincadeira, que levamos a sério demais.

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Agora, sobre a presença do deus Jano (daí janeiro) nesse sólido pedestal, vale a pena elucubrar. O maior monumento a Jano se encontra no Museu do Vaticano. Ele é bifronte, ou seja, tem duas faces: jovem, indicando o futuro e outra velha, representando o passado. Mas, às vezes, como no do Vaticano, ambos possuem longas barbas.

Jano, do latim, Janus, é o deus pagão dos começos e dos fins (31 de dezembro e 1º de janeiro). Talvez sua presença nessa obra se justifique pelo fato dos antigos romanos considerarem que esse deus traz dinheiro. À Jano é creditada a invenção da moeda, que como ele também tem duas apresentações distintas: cara e coroa.

A guirlanda de flores ornamentando Jano sugere mais uma contraposição entre o eterno e o efêmero: flores murcham, mas Jano se reinicia a cada ano. Sua afinidade com Saturno (Chronos) talvez se deva ao fato de alguns relatos mitológicos afirmarem que ele deu guarida ao deus do Tempo, quando esse fora destronado por seu caçula, Júpiter (Zeus).

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O tom de pele das alegorias chama a atenção: Riqueza e Prazer tem a tez mais clara e são mais robustos, pois não ficavam expostas ao sol como o Trabalho e Pobreza e, parece que passam bem (mesa farta). Mas isso são valores da época; hoje em dia, talvez fossem retratadas como sendo magras e bronzeadas.

Um fato curioso é que, me parece que o Tempo mira a Riqueza. De todas as demais alegorias, é para a Riqueza que ele olha. É possível: seja material, seja espiritual (ou ambas, pois não são excludentes!), talvez seja isso mesmo o que o Tempo almeja: Riqueza.

Outra observação perspicaz é o corpo malhado, musculoso e forte do Tempo, em contraste com suas feições de idoso (a calva e a barba branca). O que poderíamos interpretar disso? Que o Tempo é “Velho” (Sábio) e também, paradoxalmente, sempre “Novo”, vigoroso, como os jovens?

Transmitir tudo isso através de um texto, é fácil, mas com pinceis e tintas… Viva os artistas!

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A Páscoa acabou, mas estes ovos são pra sempre!!

A Páscoa acabou, eu sei. Mas este assunto é atual, tem arte, criatividade, novidade. Vale a pena conhecer os trabalhos.

E particularmente é um assunto que eu amo, que é a customização de objetos.
Deixem eu fazer a minha propaganda: temos um projeto com este conceito, o dogart que são esculturas de cachorros customizadas por artistas e personalidades, se quiser saber mais olhe nosso site dog.art.br

Neste último mês de abril, mês da Páscoa, me deparei com ovos e mais ovos customizados, de São Paulo à New York.
No Shopping Eldorado um grupo, no Shopping JK outro, e o Projeto The Big Egg Hunt que eu conheci em Londres e que este ano está em Nova York. Encontrei ovos no metrô, na Grand Central, no Rockfeller Center, no Metropolitan Museum.

No Shopping Jk fotografei todos, em Nova York os meus preferidos, dos que vi pessoalmente.(aqui no site você pode ver todos e até dar lance no leilão virtual). No Shopping Eldorado, eu não vi pessoalmente, mas escolhi a obra do artista Maramgoni de quem sou muito fã.

Shopping JK

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Simone Sapienza

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Lúcio Carvalho

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Isabelle Tuchband. AMO!

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Aguilar

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Niura Belavinha

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Lidia Lisboa

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Omar Salomão

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Carla Caffé

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Fause Haten

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Leopoldo Pacheco

Em Nova York

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No Rockfeller Center

Agora na Grand Central

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E no Metropolitan Museum, meu favorito!!

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E este é o trabalho maravilhoso do Maramgoni!

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Ronaldo Fraga – Contando Candido Portinari

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Tive a oportunidade deliciosa de assistir ao desfile de um dos estilistas que mais admiro: Ronaldo Fraga.

A coleção, apresentada pelo estilista na edição de abril do São Paulo FashionWeek, foi inspirada em um dos nossos mais importantes artistas: Candido Portinari. Nos seus azulejos, nos céus azuis e laranjas, nas suas pinturas, tudo apresentado de forma delicada e leve.

O trabalho de Ronaldo busca resgatar uma identidade nacional, a valorização das nossas riquezas, dos nossos artistas, dos nossos artesãos, dos nossos rios… E assim foi tambem nesta coleção.

Logo que começou o desfile eu já gostei dos vestidos em crochê, dos pontos largos, da transparência e do tão maravilhoso trabalho artesanal.A trilha sonora e a narração também deram clima especial ao desfile.
Cores fortes em vestidos com cortes geométricos entraram na passarela lembrando o colorido e a alegria dos circos.
Nos pés, uma botinha colorida, que acompanhou todos os modelos.
Finalizando tecidos com cenas de pinturas recorrentes na obra de Portinari.

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Na primeira fila, nomes conhecidos e respeitados da moda, Lilian Pacce, Maria Prata, Gloria Kalil.

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O tema nesta edição do Fashion Week era moda e arte, uma galeria fez parte.

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Detalhe de uma das fotografias que mais amei na galeria. De Marcelo Silveira.

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Eu, no painel criado para o desfile do Ronaldo!
Azuis!
Pena que passou muito, mas muito rápido. Um trabalho tão maravilhoso que passa na nossa frente em um piscar de olhos.
Mas assim é a vida. Não é?

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